Simular a Reforma cliente a cliente é o que transforma a decisão de regime de palpite em escolha fundamentada. O impacto depende do perfil de cada empresa — regime, setor, quanto compra tributado, margem —, então dois clientes do mesmo regime podem ter efeitos opostos. A simulação deve mostrar o impacto por fase: 2026 (teste, CBS 0,9% + IBS 0,1%), 2027 (CBS plena, fim de PIS/COFINS/IPI), 2029-2032 (redução gradual de ICMS/ISS) e 2033 (definitivo), sobre as alíquotas que o contador confirma. Rode ainda em 2026, com decisão fechada antes de janeiro de 2027. É projeção de apoio, não cálculo oficial — os percentuais plenos são estimativas até a Resolução do Senado.
Nenhuma frase resume melhor o valor do contador na Reforma do que "deixa eu simular o seu caso". A Reforma no geral está nos jornais; o que o cliente não sabe — e só o contador pode dizer — é o que ela faz com a empresa dele, ano a ano. Este guia mostra como estruturar a simulação por cliente, o que ela precisa revelar, e por que fazê-la cedo é o que dá ao cliente a chance de se reorganizar a tempo. É o motor por trás do entregável de impacto que você apresenta.
Por que o impacto é individual
O erro é achar que "a Reforma aumenta" ou "a Reforma diminui" a carga de um jeito uniforme. Não existe. O efeito depende do perfil de cada empresa:
- Quanto ela compra tributado. A não-cumulatividade plena dá crédito de tudo que a empresa compra e é tributado. Quem tem cadeia de compras longa ganha; quem tem pouca compra e muita folha (serviço intensivo em mão de obra) pode pagar mais, porque folha não gera crédito.
- O regime. Simples, Presumido e Real reagem de formas diferentes. Um Simples B2B com muita compra pode ficar melhor no Presumido com CBS plena; um serviço puro talvez não.
- O setor. Saúde, educação e transporte têm redução de 60%; profissões regulamentadas, 30%; cesta básica, alíquota zero. O setor muda a alíquota efetiva.
- A margem. Empresa de baixa margem sente muito mais qualquer variação de carga.
Por isso dois clientes do mesmo regime podem ter resultados opostos. Só a simulação individual, com os números reais, revela qual é qual.
O que a simulação precisa mostrar: as fases
A transição não é um degrau, é uma rampa de sete anos. Uma boa simulação mostra o impacto por fase, porque a decisão muda conforme o ano (tabela de alíquotas por fase):
- 2026 — teste. CBS 0,9% e IBS 0,1%, compensáveis. Impacto pequeno, mas é quando a NF-e precisa estar calibrada.
- 2027 — CBS plena. PIS, COFINS e IPI extintos; entra a CBS (estimativa de referência ~8,8%, com redução em 2027-2028). É o ano da decisão de regime.
- 2029-2032 — transição do IBS. ICMS e ISS caem gradualmente (90%, 80%, 70%, 60%) enquanto o IBS cresce.
- 2033 — sistema definitivo. IVA dual pleno (CBS + IBS, ~26,5% de referência), ICMS e ISS extintos.
Mostrar isso ano a ano é o que impressiona o cliente e fundamenta o planejamento — ele vê para onde a coisa caminha, não só o próximo mês.
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Testar o PMEs Fiscal grátisUm exemplo simples
Considere dois clientes fictícios, ambos no Simples, para ilustrar por que a simulação é indispensável (números meramente ilustrativos, a serem confirmados pelo contador):
- Cliente A — comércio B2B, compra tributada equivalente a 60% do faturamento, margem apertada. Com a não-cumulatividade plena, o crédito amplo sobre as compras pode reduzir a carga efetiva na CBS/IBS plena — e a simulação talvez aponte que o Presumido, com crédito, passa a competir com o Simples a partir de 2027.
- Cliente B — serviço puro B2C, quase sem compras tributadas, custo concentrado em folha. Sem compras para creditar, a CBS/IBS plena tende a pesar mais — e a simulação pode indicar manter o Simples e monitorar o setor.
Mesmo regime, conclusões opostas. Nenhuma intuição entrega isso; só a conta com os números reais de cada um. E é essa conta que vira a conversa de valor com o cliente. Para o método de escolha de regime, veja Simples, Presumido ou Real.
Por que simular cedo
Simular tarde tira do cliente a chance de agir. As janelas que dependem de antecedência:
- Créditos de PIS/COFINS precisam estar escriturados na EFD até 31/12/2026 — quem descobre em 2027 perdeu.
- Contratos de longo prazo que citam PIS/COFINS ou ISS precisam de aditivo antes da virada.
- Migração de regime exige planejamento — não se muda de Simples para Presumido da noite para o dia.
A simulação feita em 2026, com decisão fechada antes de janeiro de 2027, é o que dá tempo. É também o que protege o escritório: a recomendação de regime fundamentada em números, documentada, é muito mais defensável que um palpite.
O que a simulação não é
Um alerta importante para não prometer o que ninguém pode. A simulação é uma projeção de apoio, não um cálculo oficial do que o cliente vai pagar. Os percentuais plenos de CBS e IBS são estimativas até a Resolução do Senado fixar a alíquota de referência. A simulação honesta trabalha com as alíquotas que o contador confirma, mostra que os patamares plenos ainda podem mudar, e cita a fonte legal de cada regra. Ela serve para planejar e decidir — com o julgamento do profissional —, não para garantir um número exato. Vender certeza que não existe é o caminho mais curto para um questionamento futuro.
Quando reapresentar a simulação
A simulação não é peça única — ela envelhece conforme a Reforma avança e a Receita publica novas regras. Vale reapresentá-la ao cliente em alguns momentos-chave: quando a Resolução do Senado fixar a alíquota de referência (trocando estimativa por número firme), na virada para a CBS plena em 2027, e sempre que o perfil do cliente mudar de forma relevante (novo faturamento, mudança no mix de produtos, entrada em novo setor).
Cada reapresentação é uma nova oportunidade de contato de valor — o oposto do silêncio que faz o cliente achar que o contador está por fora. Um contato planejado por fase da transição mantém a carteira informada e reforça, a cada ano, por que o trabalho do escritório vale o que custa. A simulação vira, assim, um serviço recorrente, não um evento único.
Como o PMEs Fiscal simula por cliente
No PMEs Fiscal, a simulação 2026→2033 roda por empresa da carteira sobre as alíquotas que você confirma — e você pode editar qualquer alíquota antes de calcular, com a fonte legal à vista em /fontes. Como as regras são versionadas, ajustar um percentual atualiza a simulação sem refazer planilha. E o resultado vira, em poucos cliques, o entregável com a sua marca para apresentar ao cliente. A ferramenta organiza e faz a aritmética; a decisão fiscal e a confirmação das alíquotas são suas.
O que o cliente pergunta ao ver a simulação
A simulação abre a conversa de valor, e vale antecipar as três perguntas que sempre vêm:
- "Vou pagar mais ou menos?" Depende da fase e do perfil — por isso a simulação mostra ano a ano, não um número único. Em muitos casos, 2027 é o ponto de virada, quando a CBS entra plena.
- "O que eu faço com isso?" É a deixa para a recomendação: revisar regime, escriturar créditos de PIS/COFINS até 31/12/2026, aditar contratos. Simulação sem recomendação é meia entrega.
- "Esse número é certo?" Aqui a honestidade conta: é a melhor projeção sobre as alíquotas confirmadas, com os patamares plenos ainda sujeitos à Resolução do Senado. O cliente confia mais em quem separa lei de estimativa.
Responder isso com o material na tela é o que transforma a simulação de relatório em consultoria — e é a diferença entre entregar um número e conduzir uma decisão.
Resumo
A simulação cliente a cliente é o coração do trabalho de valor na Reforma: como o impacto depende do perfil de cada empresa, só a conta individual — com os números reais e as alíquotas que o contador confirma — revela quem ganha e quem paga mais. Mostre o efeito por fase, de 2026 a 2033, rode ainda em 2026 para dar tempo de agir (créditos, contratos, regime) e apresente o resultado como um entregável. É projeção de apoio, honesta sobre o que ainda é estimativa — e é exatamente por isso que ela fundamenta a decisão em vez de arriscar um palpite.
Fonte legal
- LC 214/2025 — regras de CBS/IBS, créditos, não-cumulatividade, regimes e reduções setoriais.
- EC 132/2023 — cria CBS e IBS e define a transição 2026-2033; percentuais plenos dependem de Resolução do Senado (art. 130 ADCT).
- LC 123/2006 — Simples Nacional, base da comparação de regime de boa parte da carteira.
- Página /#/fontes — tabela viva de alíquotas por tributo e vigência, com dispositivo legal.
Este guia organiza informação pública e boas práticas de planejamento. A simulação descrita é projeção de apoio sobre alíquotas confirmadas pelo contador; não substitui a análise do profissional, e os percentuais plenos de CBS/IBS são estimativas até a Resolução do Senado publicar a alíquota de referência.