A NF-e passa a destacar CBS e IBS em grupos próprios do XML — gIBSCBS, contendo gIBSUF (parcela estadual do IBS), gIBSMun (parcela municipal) e gCBS (federal) — além do Imposto Seletivo quando aplicável. Cada item precisa de CST de CBS/IBS, cClassTrib (classificação tributária) e NCM corretos, conforme a NT SEFAZ 2025.002. O preenchimento efetivo acompanha 2027; 2026 é o ano de homologar a emissão no ERP para não travar o faturamento na virada.
A Reforma não muda só quanto imposto se paga — muda o documento que registra cada operação. A nota fiscal eletrônica ganha campos novos, e quem emite ou recebe NF-e precisa garantir que o XML esteja no leiaute certo, sob pena de rejeição na SEFAZ ou de crédito errado para o cliente. Este guia explica o que muda no XML e o que ajustar.
Por que a nota precisa mudar
A NF-e de hoje foi desenhada para os tributos de hoje: tem grupos para ICMS, IPI, PIS e COFINS. Como a Reforma extingue esses tributos (na transição) e cria CBS, IBS e Imposto Seletivo, o leiaute do XML precisa de novos grupos para acomodá-los. Sem isso, não há onde registrar o valor de CBS ou de IBS na operação.
Essa reengenharia do leiaute está na Nota Técnica SEFAZ 2025.002, que define a estrutura dos novos grupos, os códigos e as regras de validação. É a referência técnica que todo ERP e sistema emissor precisa implementar.
Os novos grupos do XML
A grande novidade é o grupo gIBSCBS, que reúne os tributos da Reforma em um item da nota. Dentro dele:
- gCBS — a Contribuição sobre Bens e Serviços (federal). É a parcela que substitui PIS/COFINS.
- gIBSUF — a parcela estadual do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).
- gIBSMun — a parcela municipal do IBS.
Essa divisão do IBS em UF e Município reflete a natureza dual do imposto: o IBS é único na incidência, mas repartido entre estados e municípios (por isso a NF-e separa as duas parcelas). A explicação do IBS está em o que é o IBS e da CBS em o que é a CBS.
Quando o produto for sujeito ao Imposto Seletivo, há ainda o grupo do IS (campos como CSTIS, cClassTribIS, vBCIS, pIS, vIS) — detalhado em o que é o Imposto Seletivo.
Os três campos que decidem o cálculo: CST, cClassTrib e NCM
Preencher os grupos não basta — cada item precisa de três classificações coerentes entre si:
- NCM — a classificação da mercadoria (Nomenclatura Comum do Mercosul). Já existe hoje, mas ganha peso: é o NCM que determina se o item tem redução, isenção ou sujeição ao IS.
- CST da CBS/IBS — o Código de Situação Tributária específico dos novos tributos, indicando se a operação é tributada, isenta, imune, com suspensão etc.
- cClassTrib — o código de classificação tributária, a novidade que detalha o tratamento: alíquota padrão, redução de 60% (saúde, educação, transporte coletivo), redução de 30% (profissões regulamentadas), isenção, imunidade ou regime específico.
A combinação NCM + CST + cClassTrib é o que o sistema usa para calcular o tributo e o que a SEFAZ valida. Errar essa tríade é a principal fonte de rejeição de nota e de crédito indevido para o destinatário — que credita o que está destacado.
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Testar o PMEs Fiscal grátisExemplo: um item com redução de 60%
Uma clínica médica emite NF-e de uma consulta. O serviço de saúde tem redução de 60% de CBS/IBS (LC 214/2025). Na nota:
- NCM/código de serviço compatível com a atividade de saúde
- CST de operação tributada com redução
- cClassTrib correspondente à redução de 60%
- Base e alíquota: suponha alíquota de referência de 26,5%. Com redução de 60%, a alíquota efetiva é 26,5% × 40% = 10,6%. Sobre uma consulta de R$ 300, o destaque de CBS/IBS seria R$ 31,80.
Se o emissor esquecer o cClassTrib de redução e usar a alíquota cheia, destacaria R$ 79,50 — e o paciente-empresa creditaria a mais, gerando inconsistência que a fiscalização cruza. O impacto da redução na saúde está em Reforma para clínicas e saúde.
O que o emissor precisa fazer em 2026
2026 é o ano de preparação, e a nota fiscal é a frente mais concreta:
- Atualizar o ERP / emissor. Confirme com o fornecedor do sistema se ele já suporta o leiaute da NT 2025.002 (grupos gIBSCBS, IS). A maioria está liberando versões compatíveis.
- Homologar em ambiente de testes. Emita notas no ambiente de homologação da SEFAZ com os novos grupos, para achar erros antes da virada. Travar faturamento em janeiro de 2027 por leiaute errado é o pior cenário.
- Revisar o cadastro de produtos/serviços. Garanta NCM correto em cada item e mapeie qual cClassTrib se aplica (padrão, redução, isenção). Cadastro sujo hoje vira rejeição amanhã.
- Preparar a validação de entrada. Quem recebe notas precisa conferir os grupos de CBS/IBS para creditar corretamente — não basta confiar no que o fornecedor mandou.
Validar o XML antes da SEFAZ
Do lado de quem recebe (ou audita) notas, ler o XML manualmente é inviável em volume. A validação automatizada confere:
- Presença dos grupos gIBSCBS / gIBSUF / gIBSMun / gCBS (e IS quando cabível)
- Coerência entre NCM, CST e cClassTrib
- Valores de base de cálculo e alíquota compatíveis com a classificação
O PMEs Fiscal valida XML de NF-e contra a estrutura da NT 2025.002, apontando grupos ausentes ou inconsistências — o passo a passo está em validar XML de NF-e para CBS/IBS. Como em todo o produto, a ferramenta organiza e aponta; a classificação fiscal correta de cada item é confirmada por quem tem a responsabilidade técnica.
Quem emite e quem recebe: responsabilidades diferentes
A nova NF-e cria obrigações nas duas pontas:
- Quem emite responde por classificar corretamente cada item (NCM, CST, cClassTrib), aplicar a alíquota certa (cheia, reduzida, IS) e destacar os grupos. Erro aqui vira rejeição na SEFAZ ou, pior, nota aceita com destaque errado que a fiscalização cruza depois.
- Quem recebe precisa conferir o que veio antes de creditar. Como o crédito de CBS/IBS do comprador é o valor destacado pelo fornecedor, uma nota com destaque a maior gera crédito indevido (risco de glosa); a menor, crédito perdido. Não basta confiar — é preciso validar.
Essa dupla responsabilidade é nova em intensidade: no ICMS de hoje, muita conferência ficava no back-office fiscal; com CBS/IBS e a vinculação do crédito ao recolhimento, checar a nota de entrada vira rotina de quem quer proteger o próprio crédito. Para escritórios que processam notas de dezenas de clientes, automatizar essa conferência deixa de ser luxo — tema de Reforma para escritórios de contabilidade.
Erros comuns na nova NF-e
- NCM desatualizado ou genérico — impede a aplicação correta de redução/IS.
- cClassTrib incompatível com o CST — a combinação inválida gera rejeição.
- Esquecer o grupo de IS em produto sujeito ao Seletivo (bebida, veículo, fumo).
- Alíquota cheia onde cabe redução (saúde, educação) — destaca e credita a mais.
- Não homologar antes — descobrir o erro só na primeira nota real de 2027.
Glossário dos novos campos do XML
Para quem vai mexer no ERP ou conferir notas, vale ter os termos à mão:
- gIBSCBS — grupo-mãe que reúne os tributos da Reforma no item da nota.
- gCBS — subgrupo da CBS (federal). Traz base, alíquota e valor da contribuição.
- gIBSUF — subgrupo da parcela estadual do IBS.
- gIBSMun — subgrupo da parcela municipal do IBS.
- CST — Código de Situação Tributária da CBS/IBS: indica se a operação é tributada, isenta, imune, com suspensão, diferimento etc.
- cClassTrib — Código de Classificação Tributária: detalha o tratamento (alíquota padrão, redução de 60%/30%, isenção, regime específico).
- Grupo do IS — quando aplicável: CSTIS, cClassTribIS, vBCIS (base), pIS (alíquota), vIS (valor do Imposto Seletivo).
- NCM — Nomenclatura Comum do Mercosul, a classificação da mercadoria, que ancora as regras de redução e IS.
Passo a passo de homologação em 2026
A pior surpresa é a nota que rejeita no dia 2 de janeiro de 2027. Para evitá-la, o roteiro de homologação:
- Atualizar o emissor para a versão que suporta a NT 2025.002.
- Cadastrar corretamente NCM, CST e cClassTrib de cada produto/serviço.
- Emitir notas de teste no ambiente de homologação da SEFAZ, cobrindo os casos reais da empresa (venda normal, item com redução, devolução, item com IS se houver).
- Validar os XMLs gerados — conferir se os grupos gIBSCBS/gCBS/gIBSUF/gIBSMun aparecem e batem com o esperado.
- Corrigir o cadastro onde a validação apontar inconsistência (NCM genérico, cClassTrib incompatível).
- Repetir até zerar rejeições, e treinar quem emite.
Segundo exemplo: item com Imposto Seletivo
Uma distribuidora de bebidas emite NF-e de um lote de refrigerantes (bebida açucarada, sujeita ao IS — ver o Imposto Seletivo). Na nota, além do gIBSCBS, vem o grupo do IS:
- Preço do lote: R$ 1.000
- IS (hipótese de 10%): vIS = R$ 100 → a base da CBS/IBS passa a ser R$ 1.100
- CBS/IBS (26,5% sobre R$ 1.100): R$ 291,50, destacados em gCBS + gIBSUF + gIBSMun
O destinatário contribuinte credita os R$ 291,50 de CBS/IBS (o IS não gera crédito, por ser tributo monofásico/seletivo). Se o emissor esquecer o grupo do IS, a nota é rejeitada ou sai com base incorreta, contaminando o crédito de quem recebe. Por isso a validação do XML é indispensável nesses setores.
Resumo
A NF-e ganha os grupos gIBSCBS (com gCBS federal, gIBSUF estadual e gIBSMun municipal) e o grupo do Imposto Seletivo, conforme a NT SEFAZ 2025.002. Cada item exige NCM, CST e cClassTrib coerentes — é essa tríade que define o cálculo e o que a SEFAZ valida. O preenchimento efetivo acompanha 2027, então 2026 é o ano de atualizar o ERP, homologar em testes e limpar o cadastro de produtos. Quem recebe notas deve validar o XML para creditar certo. Comece pela validação de XML de NF-e e acompanhe o calendário em obrigações fiscais 2026.
Fonte legal
- NT SEFAZ 2025.002 — leiaute da NF-e com os grupos de CBS/IBS/IS, CST e cClassTrib.
- LC 214/2025 — CBS/IBS, reduções de 60%/30% e regimes específicos refletidos no cClassTrib.
- EC 132/2023 — base constitucional da CBS, IBS e IS.
- Consulte a página de fontes para as alíquotas configuradas por tributo e vigência.
Este guia organiza informação pública sobre o leiaute da NF-e. Não substitui contador: a classificação fiscal de cada item (NCM, CST, cClassTrib) e o destaque correto dos tributos devem ser confirmados pelo profissional.