O que muda na nota fiscal com a Reforma (CBS/IBS na NF-e)

Obrigações · 08 de julho de 2026 · Atualizado em 08 de julho de 2026 · 9 min de leitura

O que muda na nota fiscal com a Reforma (CBS/IBS na NF-e)

A NF-e ganha novos grupos para CBS, IBS e Imposto Seletivo (NT SEFAZ 2025.002): gIBSCBS, gIBSUF, gIBSMun, gCBS, além de CST, cClassTrib e NCM obrigatórios. O que o emissor precisa ajustar e como validar o XML.

A NF-e passa a destacar CBS e IBS em grupos próprios do XML — gIBSCBS, contendo gIBSUF (parcela estadual do IBS), gIBSMun (parcela municipal) e gCBS (federal) — além do Imposto Seletivo quando aplicável. Cada item precisa de CST de CBS/IBS, cClassTrib (classificação tributária) e NCM corretos, conforme a NT SEFAZ 2025.002. O preenchimento efetivo acompanha 2027; 2026 é o ano de homologar a emissão no ERP para não travar o faturamento na virada.

A Reforma não muda só quanto imposto se paga — muda o documento que registra cada operação. A nota fiscal eletrônica ganha campos novos, e quem emite ou recebe NF-e precisa garantir que o XML esteja no leiaute certo, sob pena de rejeição na SEFAZ ou de crédito errado para o cliente. Este guia explica o que muda no XML e o que ajustar.

Por que a nota precisa mudar

A NF-e de hoje foi desenhada para os tributos de hoje: tem grupos para ICMS, IPI, PIS e COFINS. Como a Reforma extingue esses tributos (na transição) e cria CBS, IBS e Imposto Seletivo, o leiaute do XML precisa de novos grupos para acomodá-los. Sem isso, não há onde registrar o valor de CBS ou de IBS na operação.

Essa reengenharia do leiaute está na Nota Técnica SEFAZ 2025.002, que define a estrutura dos novos grupos, os códigos e as regras de validação. É a referência técnica que todo ERP e sistema emissor precisa implementar.

Os novos grupos do XML

A grande novidade é o grupo gIBSCBS, que reúne os tributos da Reforma em um item da nota. Dentro dele:

Essa divisão do IBS em UF e Município reflete a natureza dual do imposto: o IBS é único na incidência, mas repartido entre estados e municípios (por isso a NF-e separa as duas parcelas). A explicação do IBS está em o que é o IBS e da CBS em o que é a CBS.

Quando o produto for sujeito ao Imposto Seletivo, há ainda o grupo do IS (campos como CSTIS, cClassTribIS, vBCIS, pIS, vIS) — detalhado em o que é o Imposto Seletivo.

Os três campos que decidem o cálculo: CST, cClassTrib e NCM

Preencher os grupos não basta — cada item precisa de três classificações coerentes entre si:

  1. NCM — a classificação da mercadoria (Nomenclatura Comum do Mercosul). Já existe hoje, mas ganha peso: é o NCM que determina se o item tem redução, isenção ou sujeição ao IS.
  2. CST da CBS/IBS — o Código de Situação Tributária específico dos novos tributos, indicando se a operação é tributada, isenta, imune, com suspensão etc.
  3. cClassTrib — o código de classificação tributária, a novidade que detalha o tratamento: alíquota padrão, redução de 60% (saúde, educação, transporte coletivo), redução de 30% (profissões regulamentadas), isenção, imunidade ou regime específico.

A combinação NCM + CST + cClassTrib é o que o sistema usa para calcular o tributo e o que a SEFAZ valida. Errar essa tríade é a principal fonte de rejeição de nota e de crédito indevido para o destinatário — que credita o que está destacado.

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Exemplo: um item com redução de 60%

Uma clínica médica emite NF-e de uma consulta. O serviço de saúde tem redução de 60% de CBS/IBS (LC 214/2025). Na nota:

Se o emissor esquecer o cClassTrib de redução e usar a alíquota cheia, destacaria R$ 79,50 — e o paciente-empresa creditaria a mais, gerando inconsistência que a fiscalização cruza. O impacto da redução na saúde está em Reforma para clínicas e saúde.

O que o emissor precisa fazer em 2026

2026 é o ano de preparação, e a nota fiscal é a frente mais concreta:

  1. Atualizar o ERP / emissor. Confirme com o fornecedor do sistema se ele já suporta o leiaute da NT 2025.002 (grupos gIBSCBS, IS). A maioria está liberando versões compatíveis.
  2. Homologar em ambiente de testes. Emita notas no ambiente de homologação da SEFAZ com os novos grupos, para achar erros antes da virada. Travar faturamento em janeiro de 2027 por leiaute errado é o pior cenário.
  3. Revisar o cadastro de produtos/serviços. Garanta NCM correto em cada item e mapeie qual cClassTrib se aplica (padrão, redução, isenção). Cadastro sujo hoje vira rejeição amanhã.
  4. Preparar a validação de entrada. Quem recebe notas precisa conferir os grupos de CBS/IBS para creditar corretamente — não basta confiar no que o fornecedor mandou.

Validar o XML antes da SEFAZ

Do lado de quem recebe (ou audita) notas, ler o XML manualmente é inviável em volume. A validação automatizada confere:

O PMEs Fiscal valida XML de NF-e contra a estrutura da NT 2025.002, apontando grupos ausentes ou inconsistências — o passo a passo está em validar XML de NF-e para CBS/IBS. Como em todo o produto, a ferramenta organiza e aponta; a classificação fiscal correta de cada item é confirmada por quem tem a responsabilidade técnica.

Quem emite e quem recebe: responsabilidades diferentes

A nova NF-e cria obrigações nas duas pontas:

Essa dupla responsabilidade é nova em intensidade: no ICMS de hoje, muita conferência ficava no back-office fiscal; com CBS/IBS e a vinculação do crédito ao recolhimento, checar a nota de entrada vira rotina de quem quer proteger o próprio crédito. Para escritórios que processam notas de dezenas de clientes, automatizar essa conferência deixa de ser luxo — tema de Reforma para escritórios de contabilidade.

Erros comuns na nova NF-e

Glossário dos novos campos do XML

Para quem vai mexer no ERP ou conferir notas, vale ter os termos à mão:

Passo a passo de homologação em 2026

A pior surpresa é a nota que rejeita no dia 2 de janeiro de 2027. Para evitá-la, o roteiro de homologação:

  1. Atualizar o emissor para a versão que suporta a NT 2025.002.
  2. Cadastrar corretamente NCM, CST e cClassTrib de cada produto/serviço.
  3. Emitir notas de teste no ambiente de homologação da SEFAZ, cobrindo os casos reais da empresa (venda normal, item com redução, devolução, item com IS se houver).
  4. Validar os XMLs gerados — conferir se os grupos gIBSCBS/gCBS/gIBSUF/gIBSMun aparecem e batem com o esperado.
  5. Corrigir o cadastro onde a validação apontar inconsistência (NCM genérico, cClassTrib incompatível).
  6. Repetir até zerar rejeições, e treinar quem emite.

Segundo exemplo: item com Imposto Seletivo

Uma distribuidora de bebidas emite NF-e de um lote de refrigerantes (bebida açucarada, sujeita ao IS — ver o Imposto Seletivo). Na nota, além do gIBSCBS, vem o grupo do IS:

O destinatário contribuinte credita os R$ 291,50 de CBS/IBS (o IS não gera crédito, por ser tributo monofásico/seletivo). Se o emissor esquecer o grupo do IS, a nota é rejeitada ou sai com base incorreta, contaminando o crédito de quem recebe. Por isso a validação do XML é indispensável nesses setores.

Resumo

A NF-e ganha os grupos gIBSCBS (com gCBS federal, gIBSUF estadual e gIBSMun municipal) e o grupo do Imposto Seletivo, conforme a NT SEFAZ 2025.002. Cada item exige NCM, CST e cClassTrib coerentes — é essa tríade que define o cálculo e o que a SEFAZ valida. O preenchimento efetivo acompanha 2027, então 2026 é o ano de atualizar o ERP, homologar em testes e limpar o cadastro de produtos. Quem recebe notas deve validar o XML para creditar certo. Comece pela validação de XML de NF-e e acompanhe o calendário em obrigações fiscais 2026.

Fonte legal

Este guia organiza informação pública sobre o leiaute da NF-e. Não substitui contador: a classificação fiscal de cada item (NCM, CST, cClassTrib) e o destaque correto dos tributos devem ser confirmados pelo profissional.

Perguntas frequentes

O que muda na NF-e com a Reforma Tributária?

A NF-e passa a destacar CBS e IBS em grupos próprios (gIBSCBS, com gIBSUF, gIBSMun e gCBS), além do Imposto Seletivo quando aplicável. Cada item precisa de CST da CBS/IBS, cClassTrib (classificação tributária) e NCM corretos. A mudança é definida pela NT SEFAZ 2025.002 e passa a ser exigida na fase de destaque a partir de 2027.

O que é o cClassTrib na nova NF-e?

cClassTrib é o código de classificação tributária que identifica o tratamento de CBS/IBS de cada item — alíquota padrão, redução (60% ou 30%), isenção, imunidade ou regime específico. Junto com o CST e o NCM, ele determina como o tributo é calculado e destacado. Preencher errado gera rejeição da nota ou crédito indevido para o destinatário.

Quando a NF-e passa a exigir os campos de CBS/IBS?

O leiaute com os novos grupos é publicado antes, para adaptação dos ERPs, mas o preenchimento efetivo de CBS/IBS acompanha a entrada dos tributos: em 2027, com a CBS substituindo PIS/COFINS e o IBS em fase inicial. Empresas devem homologar a emissão em ambiente de testes durante 2026 para não travar faturamento na virada.

Preciso trocar meu sistema emissor de NF-e por causa da Reforma?

Não necessariamente trocar, mas atualizar. O emissor (ERP ou sistema de NF-e) precisa suportar o leiaute da NT 2025.002 com os grupos de CBS/IBS/IS. A maioria dos fornecedores está liberando versões compatíveis. O importante é validar a emissão em homologação e conferir se os campos de classificação (CST, cClassTrib, NCM) estão corretos.

Como validar se o XML da NF-e está correto para CBS/IBS?

É preciso conferir a presença e a coerência dos grupos gIBSCBS/gIBSUF/gIBSMun/gCBS, o CST e o cClassTrib compatíveis com o NCM, e os valores de base e alíquota. Ferramentas de validação leem o XML e apontam grupos ausentes ou inconsistentes antes de a nota ir para a SEFAZ, reduzindo rejeições.

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